Esquizofrenia
Fisiopatologia, Fenomenologia e Manejo Clínico
A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico grave e crônico, caracterizado por uma desorganização profunda dos processos mentais. Envolve uma fragmentação da coesão entre o pensamento, a percepção, o afeto e o comportamento, resultando em prejuízo severo da funcionalidade e do contato com a realidade.
Análise Epidemiológica e Etiológica
- Prevalência: estima-se uma prevalência global de aproximadamente 1% da população. O início ocorre tipicamente no final da adolescência ou início da idade adulta, frequentemente com um curso prodrômico de declínio funcional;
- Hereditariedade: a base genética é complexa e poligênica, com uma herdabilidade estimada em 80%. Fatores ambientais (estresse perinatal, exposição a substâncias como o canabis na adolescência e traumas precoces) atuam como gatilhos em indivíduos vulneráveis.
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Domínios Sintomatológicos
(Referência DSM-5-TR)
A apresentação clínica é dividida em três dimensões principais:
- Sintomas Positivos (Excesso ou Distorção):
- Delírios: crenças fixas e falsas, resistentes à contra-argumentação lógica (ex: persecutórios, de referência ou de grandeza);
- Alucinações: percepções sensoriais na ausência de estímulo externo, sendo as auditivo-verbais as mais prevalentes;
- Desorganização: pensamento e fala tangenciais ou incoerentes, além de comportamento motor grosseiramente desorganizado ou catatônico.
- Sintomas Negativos (Déficit Funcional):
- Alogia: pobreza no discurso;
- Avolição: redução da iniciativa para atividades dirigidas a metas;
- Anedonia e Embotamento Afetivo: redução da capacidade de experienciar prazer e restrição na expressão emocional.
- Déficits Cognitivos: Prejuízos na memória de trabalho, atenção sustentada e funções executivas, que são os principais preditores de prognóstico funcional a longo prazo.
Fisiopatologia e Neurobiologia
- Hipótese Dopaminérgica:
Hiperatividade dopaminérgica na via mesolímbica (correlacionada aos sintomas positivos) e hipoatividade na via mesocortical (correlacionada aos sintomas negativos e cognitivos);
Hipótese Glutamatérgica:
Disfunção dos receptores NMDA, sugerindo que a desregulação do sistema excitatório precede a disfunção dopaminérgica;
Alterações Estruturais:
Observa-se frequentemente o aumento dos ventrículos laterais e a redução do volume cortical em áreas temporais e frontais.
Diretrizes Terapêuticas
Farmacoterapia:
O uso de antipsicóticos (neurolépticos) é mandatório. Os de segunda geração (atípicos) são preferenciais devido ao menor risco de sintomas extrapiramidais. A Clozapina permanece como o padrão-ouro para casos de esquizofrenia refratária;
Intervenção Psicossocial:
Reabilitação cognitiva, treinamento de habilidades sociais e suporte familiar são cruciais para a reintegração do paciente.
Transtornos de Personalidade: uma abordagem estrutural
Os Transtornos de Personalidade (TP) referem-se a padrões persistentes e inflexíveis de experiência interna e comportamento que se desviam acentuadamente das expectativas culturais. Esses padrões são estáveis ao longo do tempo, têm início na adolescência ou início da idade adulta e levam a sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo.
Classificação em Clusters (Referência DSM-5-TR)
O DSM-5 organiza os dez transtornos em três grupos baseados em semelhanças descritivas:
Cluster A: “Excêntricos ou Desconfiados”
Caracterizados por desconforto social e distorções cognitivas.
- Paranoide: desconfiança e suspeita generalizada de que os outros têm motivações malévolas;
- Esquizoide: distanciamento das relações sociais e restrição na expressão emocional;
- Esquizotípico: desconforto agudo em relações íntimas, acompanhado de distorções cognitivas e excentricidades comportamentais.
Cluster B: “Dramáticos, Erráticos ou Emocionais”
Caracterizados por dificuldades graves no controle de impulsos e regulação emocional.
- Antissocial: desrespeito e violação dos direitos alheios, falta de remorso e impulsividade;
- Borderline: instabilidade nos relacionamentos, autoimagem e afetos (conforme detalhado anteriormente);
- Histriônico: excessiva emocionalidade e busca constante por atenção;
- Narcisista: padrão de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia.
Cluster C: “Ansiosos ou Receosos”
Caracterizados por altos níveis de inibição e ansiedade.
- Evitativa: inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade a avaliações negativas;
- Dependente: necessidade excessiva de ser cuidado, levando a comportamentos submissos e aderentes;
- Obsessivo-Compulsiva (TPOC): preocupação com ordem, perfeccionismo e controle mental, às custas da flexibilidade e eficiência.
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Sou Médico (CRM/PR 43.264) e Advogado (OAB/PR 63.678) – formado em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e, em Direito, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Possuo pós-graduação em Psiquiatria (Lato sensu), e dedico-me ao diagnóstico e tratamento das mais variadas psicopatologias e/ou transtornos psíquicos do adulto/idoso, oferecendo uma abordagem integrada, holística e multidisciplinar.
Com o intuito de promover o melhor tratamento aos meus pacientes, estou em constante aprimoramento, através de cursos de extensão/aperfeiçoamento e pós-graduações. No momento, sou pós-graduando do curso de Psicofarmacologia Avançada e Farmacogenética, pelo Brazilian Institute of Practical Pharmacology.
Possuo ampla experiência em Emergências Psiquiátricas, Psiquiatria do Adulto, Psiquiatria Geriátrica, Medicina da Dor e Medicina do Sono, sendo comprometido em proporcionar cuidados abrangentes, e da mais alta qualidade, sempre focando nas necessidades específicas de cada indivíduo, à luz da Medicina Baseada em Evidências – a fim de promover o que há de melhor em Saúde.
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